Crônica
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    A CEGUEIRA CONVENIENTE


    Tenho dito que em certos casos, e sabemos muito bem quais são eles, nossa Justiça é, e pelo jeito, continua a ser, cega, mas por conveniência, não apra ser justa.

    Vide o caso do Sr. Cacciola. Pelo que consta ele meteu a mão no dinheiro de muita gente, fez quebrar um Banco, parece que propositadamente, e depois foi julgado e condenado a 13 anos de prisão.

    Antes, durante o processo, algum Juiz, muito bonzinho ou crédulo demais na boa vontade de certos homens, resolveu que ele podia ficar em liberdade até o final do processo, quando ainda estava em julgamento. Ora, o ilustre banqueiro não resistiu à tentação e fugiu para o exterior deixando aqui o tal “endereço certo”.

    Aí ficou por isso mesmo, pois o tal Juiz sequer foi cobrado pela crença absurda que proporcionou a fuga do banqueiro safado. Mais pra frente, descobriram que ele estava na Itália, passeando, e aí sem endereço certo, evidentemente.

    Um dia, depois de passados alguns anos de liberdade praticamente concedida por um Juiz brasileiro, mas tudo dentro da Lei (?!), o Sr. Cacciola foi apanhado pela Interpol. Parece que cometeu algum descuido e... pimba, trouxeram o homem de volta ao Brasil.

    Eu pergunto: Para quê? Alguém, também crédulo e muito sério há de dizer “ora, para que ele cumpra a sentença a qual foi condenado antes.” Pois é, gente boa, você ainda deve acreditar em Papai Noel.

    Agora de manhã escutei na rádio CBN, que ouço todos os dias, que outro Juiz, talvez penalizado com a situação do “ilustre” escroque, estendeu sua mão generosa, mas tudo dentro da Lei, por favor, não fiquem imaginando coisas, sim?

    Claro que deve ter usado uma das tais já famosas, embora indecentes, “brechas da Lei”. Aqui eu não sei se nossas leis, tão superadas, têm mesmo brechas, rachaduras, etc, ou se são essas que suportam as leis, sinceramente.

    Novamente a Justiça brasileira concedeu nova benesse ao escroque ilustre o que, convenhamos, não consede a seres normais e sem colarinhos brancos. Outro Juiz permitiu, já, agora, pouco tempo depois de terem tido o trabalho de o apanhar no exterior e trazer de volta, que ele cumpra a pena de 13 anos, mas, em casa.

    Oh! Você está escandalizado? Pois não fique, pois tudo está sendo feito, como já repeti... “dentro da Lei”, logo vamos reclamar do quê? Porém não fique tão indignado, por favor, não, guarde um pouquinho de sua raiva, amigo ou amiga, para quando, quem sabe, ele resolver novamente que casa é muito relativo e quem sabe pode considerar poder retornar à Europa. Quem sabe, né?

    Você me diria que fica agora mais difícil a ele fugir, mas, não acredite tanto nisso não para não ter outra nova e grande decepção de repente, sim? Já nem estou pensando nisso, me irrita que algum Juiz não tenha considerado que o referido senhor já foi mal intencionado, zombou de nosso país e da própria Justiça ao fugir antes, e agora lhe concede nova benesse.

    Do jeito que vemos essas coisas vamos acreditar em quem? O homem volta, tem 13 anos a cumprir e mesmo que fique no Brasil, mas em casa, será que ninguém percebe que é uma profunda injustiça para com tantos brasileiros, menos poderosos financeiramente e sem influência social e política, que jamais poderão sonhar com tanta boa vontade de nossa Justiça?

    Gente, vou ficar por aqui porque corro o risco de acabar me esquecendo que sou bem educado e escrever o que não quero, embora devesse. Só me permitam repetir o que digo no título... haja “cegueira conveniente”.


    Francisco Simões. (Agosto/2011)