Crônica
fm.simoes@terra.com.br
  • Poemas
  • Crônicas
  • Biografia
  • Fotos
  • Prêmios
  • Produção e Administração

     

    COMO SURGIU O POEMA “ALELUIA”


    Desde os anos 80 raramente nós íamos a Copacabana, muito menos passávamos pela Avenida principal. Isso só acontecia quando eventualmente voltávamos de uma consulta com nosso médico homeopata, o Dr. Carlos de Faria e resolvíamos voltar a Ipanema andando. Uma longa caminhada, mas que fazia bem.

    Naquela tarde de uma quinta-feira no ano 2.000 minha esposa resolvera entrar em algumas lojas que não visitávamos fazia muito tempo. A certa altura fui me dando conta de como a Avenida Copacabana estava cheia de gente, muita gente, inclusive camelôs, pedintes, pessoas alcoolizadas, uns com defeitos físicos, outros que proferiam as repetidas palavras que tanto se ouve em muitas igrejas.

    Aquilo começou a mexer comigo, algumas situações me chocavam, e assim enquanto minha esposa conversava com a atendente de uma loja eu me aproximei e pedi à jovem uma folha de papel. Usando minha caneta comecei a escrever os primeiros versos que me afloravam à idéia tentando descrever o que eu via.

    Ali foi nascendo o poema “Aleluia”. As primeiras palavras que me ocorreram foram mesmo essas: “Aleluia irmão, aleluia / Procuras lírios no asfalto / Que o campo já regam com sangue...” A expressão “Distrato da Natureza Divina” surgiu enquanto caminhávamos de volta a Ipanema. Claro que minha esposa não gostou. Aliás, este poema não teve a aprovação dela e eu entendi bem a razão.

    Jamais deixei que opiniões contrárias, viessem de quem viesse, a este ou aquele verso, a este ou aquele poema, me impedisse de escrevê-lo. Não se deve submeter nossa criação a qualquer tipo de censura, digamos assim. Ademais quem conhece meus poemas sabe que vários deles carregam uma mensagem forte de crítica social e política, algumas vezes com pitadas de humor, porém nem sempre.

    “Aleluia” participou de 4 concursos literários e foi premiado em todos eles. Curiosamente foi justo ele que, obtendo o segundo lugar no I Concurso de Poesia do site A MAGIA DA POESIA, acabou por me proporcionar a criação de um site pessoal como prêmio. Atualmente meu site está a ser totalmente modificado como sabem e tem a direção da amiga Irene Serra, do Rio Total. Está mais bonito.

    Em algumas edições do concurso “Expressão da Alma”, criado e dirigido por Luiz Marquez, eu já ganhara alguns bons prêmios, mas foi na sétima que o “Aleluia” logrou ser considerado a “Melhor Crítica Social”.

    Abaixo coloco as premiações obtidas por aquela poesia nos quatro certames de que participou e a seguir poderão lê-la ou relê-la na íntegra. Até o próximo mês:

    “POÉTICA 2001” – Recanto das Artes (Gesmil) – Sorocaba – Concurso dividido em 4 etapas. Na 1º meu poema O SAPO E O POETA foi selecionado; na 2º o selecionado foi ALELUIA; na 3º selecionaram o SORRISO BRASILEIRO; na 4º e última etapa o poema MEIA-NOITE obteve o 1º lugar do concurso. (Ano de 2001)
    "IV CONCURSO NACIONAL DE POESIA E PROSA LETRAS NO BRASIL – Taba Cultural Editora – RJ -- O conjunto das poesias MEIA-NOITE, ALELUIA, A MANHÃ SEGUINTE e das crônicas FORMATURA DE 2º GRAU, NO CIRCO DA PRAIA e AMIGO PRA CACHORRO ganhou o Prêmio de Edição. (Setembro/2001)
    “VII CONCURSO DE POESIAS ‘EXPRESSÃO DA ALMA’ – Org. de Luis Marques – Rio de Janeiro (RJ) --- Meu poema ALELUIA ganhou o prêmio de “Melhor Crítica Social”--- Novº / 2001.
    “I CONCURSO DE POESIAS DE “A MAGIA DA POESIA” – Site A Magia da Poesia – (RJ) – Meu poema ALELUIA foi classificado em 2º lugar, entre 10 premiados. – (Junho/2002).
     

    ALELUIA

    Aleluia irmão, aleluia,
    Procuras lírios no asfalto
    Que o campo já regam com sangue,
    Flutuas no mangue com a morte
    E buscas na sorte das sobras
    Entre as cobras, larvas e ratos,
    Distrato da Natureza Divina,
    Bolor de mofina e aflição.
    Aleluia irmão, aleluia.
    És refém da farsa do amor,
    És ator sem palco nem papel,
    Ouropel, tragicômico lixo
    Em seu próprio nicho desterrado
    Ignorado pela vida, pelo mundo,
    Poço sem fundo de amargura,
    Criatura, estropício da Criação.
    Aleluia irmão, aleluia.
    Na fé esperas a igualdade
    Mas a verdade, em ti, prova a mentira
    E te retira o dízimo suado
    Pelo pecado original de estares vivo.
    Nascido gente, morrerás sonho
    Inacabado, medonho, triste,
    Pois não despiste a ilusão.
    Aleluia irmão, aleluia.


    Francisco Simões. (Maio/2000)