Crônica
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    BUUUUUUUMMMMM ... EIROS


    Há uma máxima antiga que afirma isto... “o que vem de baixo não me atinge”. Será mesmo? Acho que pelo menos hoje em dia ela anda meio sem aplicação. É verdade que o sentido é outro, mas hão de admitir que ele também se aplica a este que vou usar aqui.

    Perguntem a tantas pessoas que, simplesmente caminhando por ruas do Rio de Janeiro, em bairros diferentes, já tiveram o dissabor de serem surpreendidas com um bueiro que deveria estar ali quietinho, parado, impedindo que alguém caísse no buraco que ele guarda, mas a explodir na sua proximidade. Barbaridade.

    Já houve alguns que foram atingidos por aquele objeto pesado e de ferro. Turistas foram até internados em Hospital gravemente feridos pela forma como o bueiro voador os alcançou. Lastimável. Outro dia ouvi na rádio CBN um advogado que estava passando com seu carro justo no momento em que uma dessas tampas alçou vôo e foi “pousar” com violência na traseira do seu veículo.

    Revoltado o cidadão ameaçou processar a LIGHT e ver se dá para iniciar algum movimento contra aquela empresa que de há muito vem deixando a desejar. Em alguns casos dizem que do subsolo costuma sair, antes da explosão, um forte cheiro de gás. Isso nos preocupa ainda mais, pois nos faz crer que estamos morando e caminhando sobre um terreno amplamente minado.

    O mais grave é ver que nossas autoridades (elas existem mesmo?!) não têm com a cidade e sua população o mesmo carinho, a mesma preocupação ou a mesma dedicação que dizem andam a ter administrando suas fortunas, parte delas aplicadas em apartamentos luxuosos, sítios, fazendas e mesmo aviões particulares comprados sabe-se lá com que dinheiro. Seria com o nosso? Seria com o dinheiro público? Os escândalos são denunciados, mas ninguém toma qualquer providência.

    Vai ver que essa história de que a Justiça é cega é verdade mesmo, mas não no melhor dos sentidos que gostam de dar a isto. Que me desculpem os ilustres e digníssimos senhores juízes, mas em alguns casos vários deles se têm comportado, se não como coniventes, pelo menos “indiferentes” ao interesse público. A beca costuma estar mais limpa do que algumas de suas mãos, ou consciências.

    Os cariocas, que mesmo no pior dos sofrimentos jamais perdem o bom humor, andam comentando que este fato teria a ver com as Olimpíadas a serem realizadas no Brasil em 2016. Parece que estariam ensaiando um novo esporte, ou seja, o lançamento de bueiro. Realmente os cariocas são imbatíveis tanto quanto em criatividade como no latejar de sua veia cômica e/ou disposição de espírito. Critiquem, mas sorrindo, por favor.

    Devo realçar que este problema apenas tem se repetido agora mais seguidamente, porém não é novo. Já de há muitos anos bueiros saem voando ameaçadoramente, só que antes este fato acontecia mais raramente e ninguém lhe dava maior atenção.

    Como tudo neste país, só depois de o problema se agravar ou haver vítimas a se lamentar é que autoridades dão entrevista e se mostram “rigorosas” no mandar apurar a fundo o que se passa. Jogam para a platéia, mais preocupados com as próximas eleições do que com a segurança dos cidadãos que pagam seus salários através dos altos impostos.

    Como todos devem saber hoje a senhora LIGHT é privatizada e compete ao governo adotar medidas rígorosas por esses relaxamentos e outros problemas que a referida empresa tem causado à população. Só que as multas aplicadas são geralmente ridículas. Enfim, é tudo jogo de cena, afinal eles pouco estão ligando se o povo anda a explodir pelas ruas.

    Mas logo teremos novamente eleições e nossa gente, ou melhor, “os cordeirinhos” irão correndo cumprir o que nos exige uma legislação caduca, obsoleta e, até por falta de opção melhor, votarão nas mesmas pessoas. Assim tem sido, e alguns justificam que jamais usarão o seu voto como protesto, portanto preferem escolher o... menos pior.

    Pergunto a essas pessoas: e quem disse que o menos pior é o melhor, o mais confiável, o competente, o honrado? A cada eleição vemos que eu tenho uma ponta de razão quando discordo da postura de votar, por votar. E também pelo voto obrigatório que o primeiro mundo já aboliu de há muito.

    Podem me criticar, porém jamais provarão que estou errado. Enquanto isso, ao caminhar por nossas ruas, amigos e amigas, atenção, pois nunca se sabe em que momento acontecerá a próxima explosão de bueiro, e aonde. Atenção.


    Francisco Simões. (Julho/2011)