Crônica
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    QUARENTINHA, UM CRAQUE POUCO LEMBRADO


    Quarentinha nasceu em Belém do Pará em 15.09.1933. Foi meu amigo na infância e juventude, no bairro do Marco. Eu o conheci bem antes de vir a se tornar num dos maiores artilheiros que o futebol brasileiro já teve. Éramos amigos de bairro. Seu nome verdadeiro era Waldyr Cardoso Lebrêgo.

    Ainda com 16 anos ele já estreava como profissional no time do Paissandu, o “Papão da Curuzu”. Nossa casa ficava na Avenida Tito Franco justo entre a travessa do Humaitá e a da Curuzu, que fazia esquina com o Estádio do Paissandu. O pai de Quarentinha também foi jogador e ídolo do time azul e branco.

    Quando se fala nesse grande craque os mais antigos logo devem se lembrar de sua passagem brilhante pelo time do Botafogo, do Rio de Janeiro, e pela seleção brasileira. Pelo Botafogo ele foi campeão carioca nos anos de 1957, 1961 e 1962. Quarentinha chegou a ser o artilheiro, mas dos campeonatos cariocas de 1958, com 19 gols, em 1959, com 25 gols e 1960, também com 25 gols. Curiosamente nesses três anos o Glorioso Botafogo não foi campeão.

    Quarentinha também foi campeão, pelo Botafogo, no Torneio Rio-S. Paulo de 1962. Muitos não devem saber que ele foi o jogador que teve a melhor média de gols marcados pela Seleção Brasileira. Explico: ele jogou 17 partidas pela seleção e marcou exatos 17 gols, ou seja, tendo a média elogiável de um gol por partida.

    Falando em gols, digo que Quarentinha deve ser, ainda hoje, o maior artilheiro da história do Glorioso. Vejam que ele atuou pelo Botafogo em 446 partidas e fez 308 gols. Antes de estrear no time alvinegro do Rio, ele jogou pelo Vitória da Bahia no ano de 1953 e ali já confirmava sua postura de grande artilheiro, pois marcou 31 gols sendo o artilheiro do campeonato baiano naquele ano.

    Consta que em 1956 ele teve um sério desentendimento com a Diretoria do Botafogo e como represália eles o emprestaram ao modesto time do Bonsucesso. Artilheiro impiedoso e por demais eficiente, Quarentinha, talvez também como represália aos senhores do Botafogo que o haviam deixado de lado, ele marcou nada menos que 21 gols, terminando em segundo lugar na artilharia do campeonato carioca, pelo Bonsucesso, sendo ultrapassado apenas por Valdo, jogador do Fluminense, que marcou apenas mais um que Quarentinha, ou 22.

    Depois ele voltou a jogar no Botafogo ainda por algum tempo, como podem ver acima. No ano de 1964, entretanto, terminava a passagem do grande artilheiro pelo Botafogo. Quarentinha retornou ao time do Vitória da Bahia, onde estivera antes ao sair de Belém, do Paissandu, e passara a ganhar um salário considerado bem alto para a época.

    Desta feita o artilheiro caminhava para um fim de carreira, mas mesmo assim ele ainda se sagraria campeão e a seguir bi campeão pelo Vitória nos anos de 1964 e 1965. Neste mesmo ano, o Botafogo, que era dono do seu passe, o negociou com o time do América de Cali, da Colômbia.

    Foi a última etapa da carreira do amigo e conterrâneo Waldyr Cardoso Lebrêgo, o fenomenal Quarentinha, paraense. Nos anos 60, quando ele já havia parado de jogar, eu cheguei a me encontrar com ele por duas vezes no centro do Rio. Batemos bons papos, lembramos nosso tempo no bairro do Marco, em Belém, e mal sabíamos que estaríamos nos despedindo. Surpresas da vida.

    Naquele período mudei de Departamento no Banco do Brasil algumas vezes, fui trabalhar em São Cristóvão, na Gráfica, tempos depois, no Andaraí, no CESEC, e finalmente na PREVI, no Centro da cidade, onde me aposentei em 1986. Todavia, nunca mais tive oportunidade de falar com ele, visto que Quarentinha passava algumas temporadas em Belém.

    Algum tempo depois fiquei sabendo que ele falecera no Rio em 11/02/1996, quando estava com 62 anos de idade, por insuficiência cardíaca. Waldyr, como era chamado em família, tinha uma característica que mais o diferenciava de outros artilheiros. Ele não era chegado a comemorar os gols que fazia e isto irritava a torcida.

    Quarentinha sempre disse que ao colocar a bola na rede adversária apenas estava cumprindo com sua obrigação, ou fazendo aquilo para o que lhe pagavam, e bem. Era uma opinião que até se pode discordar, mas temos que respeitar. Ele foi, ou ainda é, o maior artilheiro da história do glorioso Botafogo, do Rio.
     

    Francisco Simões. (Julho/2011)