Crônica
fm.simoes@terra.com.br
  • Poemas
  • Crônicas
  • Biografia
  • Fotos
  • Prêmios
  • Produção e Administração

     

    A EXPERIÊNCIA QUE NÃO É TUDO


    Meus amigos e amigas, faço questão de apoiar e reforçar os argumentos do nosso bom Zé da Geral a respeito do fracasso de nossa seleção na atual Copa América. Ele sempre foi coerente, durante o período em que o Dunga comandou a seleção e no último “comunicado/conversa” manteve a mesma coerência, agrade ou não.

    Muitos, especialmente grande parte de nossa mídia esportiva, colocavam como argumento fundamental para criticar a indicação de Dunga como técnico da seleção o fato dele nunca ter dirigido qualquer clube. Muito bem, usaram este argumento repetidamente, insistiram sempre com ele, passando a impressão, aos menos avisados, de que ser técnico de clube, ter esta experiência, era fundamental para assumir na seleção e ter sucesso.

    Como sei que muitos dos amigos que me lerão não acompanham tão de perto os assuntos ligados ao esporte, mas eu gosto e acompanho o melhor que posso, como busco pesquisar, se necessário, resolvi trazer para vocês algumas informações que vão derrubar por terra o argumento maior dos críticos esportivos que chegaram a nos cansar com tantas bobagens que diziam do Dunga. Sei que alguns de vocês embarcaram, na época, naquela “canoa furada”, até porque alguns me disseram.

    Então vamos ao retrospecto do Sr. Mano Menezes, cujo nome verdadeiro é Luiz Antonio Venker Menezes. Ele começou sua carreira de técnico no Rio Grande do Sul, gaúcho que é como Dunga também, em times menores, mas face ao seu sucesso logo depois assumiu a direção do Grêmio.

    No ano de 2005, quando chegou ao Grêmio, este estava na segunda divisão do Brasileiro e se sagrou campeão da mesma numa situação por demais adversa: o Grêmio tivera jogadores expulsos no jogo final contra o Náutico e estava somente com 7 atletas em campo. Assim mesmo venceu e foi campeão da segunda divisão do campeonato brasileiro.

    Logo no ano seguinte, sob o comando do mesmo Mano Menezes, o Grêmio se sagrou campeão gaúcho e no outro ano foi bi campeão, além de chegar à final da Libertadores. Após ter uma trajetória vitoriosa no RS, Mano Menezes aceitou o convite para tirar o bravo Corinthians, que estava então na segunda divisão do Brasileiro, de volta à primeira. Ele o conseguiu. Isto aconteceu em 2008.

    Em 2009, o mesmo técnico levou o Corinthians, a ser bi campeão paulista, invicto e também a ser Campeão da Copa do Brasil. No ano seguinte, em 2010, ele foi convidado pela CBF para dirigir a seleção brasileira visando à Copa do Mundo de 2014. Claro que a crônica esportiva ficou feliz, comemorou, afinal se haviam livrado do Dunga, o que não leva desaforo pra casa, como meu pai me ensinou, e não era de fazer média com os jornalistas. Não os bajulava.

    Sobre a indicação do Mano Menezes para a seleção quero só dizer que melhor, ou maior experiência que a dele, não se poderia exigir. È verdade que provara ser um técnico vitorioso, em clubes, claro. Fez o que a crítica tanto queria, andou renovando a seleção, convocou jogadores mais jovens, porém os primeiros resultados em amistosos foram bem desanimadores. Então ele resolveu incluir alguns dos jogadores mais experientes que já vinham da seleção de Dunga.

    Já chegou a perder até para a Argentina, em amistoso, o que sob o comando de Dunga não aconteceu, pois os vencemos duas vezes por 3x0 e empatamos outra em 0x0. Com todo o respeito que nos mereça o Sr. Mano, por sua trajetória vitoriosa dirigindo alguns clubes, sendo dois dos maiores do Brasil, como o Grêmio e o Corinthians, a verdade é que até agora não justificou estar à frente da seleção. O resto é mero discurso, afinal ele fala muito bem e posa melhor ainda.

    A mim parece que isto só vem provar que ser técnico de clube, ainda que vitorioso, não dá certeza nem garantia de que pode ser técnico de seleção, como tanto disseram os críticos esportivos de nossa mídia. Mas, como parece que ele vai continuar à frente da seleção, só posso lhe desejar melhores resultados daqui pra frente e quem sabe nos levar ao título mundial, em casa, em 2014.

    Todavia expresso aqui também minha opinião sobre a postura do Sr. Mano Menezes no banco de reservas durante os jogos. Ele se mantém como que indiferente, frio, bem vestido, parecendo um Lord inglês (mas Lord não dirige time de futebol), não participa da emoção do jogo, não fala nada com os jogadores, quando muito mal gesticula com tanta formalidade que parece sentir vergonha de abrir seu lado emocional, se é que o tem. Não gosto de técnico que age assim.

    Prefiro um comandante como o nosso vitorioso Bernardinho, da seleção de volley, vibrante, atuante, sofrendo junto com seus comandados, sem jamais se alhear em qualquer momento de cada partida, e olhem que em 11 disputas da Liga Mundial já foi campeão 9 vezes. No futebol o Dunga foi assim, atuante, vibrante sempre, também o é o vitorioso Felipão, o próprio Parreira, embora um pouco mais discreto, mas atuante sim, entre outros.

    No passado tivemos um dos melhores técnicos, super-vitorioso, e uma das melhores seleções. Refiro-me ao saudoso Telê Santana, e às excelentes equipes que formou e que foram consideradas “campeãs morais” em duas Copas. Nem chegamos à semifinal. Todavia quem ousaria criticar Telê e aquelas duas seleções? Só que não se pode comparar Telê Santana com o Sr. Mano Menezes. Telê também vibrava, era atuante, sempre. Desculpem-me os que discordarem, é a minha opinião.

    Não sou tolo a ponto de torcer contra o trabalho do Mano Menezes, absolutamente espero que ele mude algumas coisas e leve nossa seleção ao título mundial em 2014. Gosto de futebol e torço pelo sucesso dele, mas temos que entender que até o momento, pelo menos na seleção, ele não provou ser um comandante seguro e competente, apesar da pose e de suas falas sempre muito brilhantes, porém que a mim não convencem. Lamento, mas é o que penso.


    Francisco Simões. (19/Julho/2011)