Crônica
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    A VOLTA POR CIMA


    O Fluminense acaba de se sagrar o merecido Campeão Brasileiro de 2010. Uma volta por cima, visto há pouco tempo ter caído para a segunda divisão e no ano seguinte ter descido ainda mais, para a terceira. Não diria que o FLU não mereceu ser rebaixado porque foi justo, sim, e cada um colhe o que planta, o tricolor estava muito mal naquele ano.

    Depois retornou da terceira para a primeira Divisão face a uma “invenção” de Torneio com o nome do grande benemérito tricolor, o Sr. João Havellange. Foi uma manobra que jamais poderemos aplaudir. Mas isto ficou no passado, agora devemos reconhecer e comemorar o grande mérito do FLU neste título após 26 anos sem ser campeão brasileiro. Uma vitória nervosa, como se esperava, mas com muita garra, contra tudo e contra todos.

    O FLU se reforçou, contratou um excelente técnico, tri campeão brasileiro pelo S. Paulo, entre outros títulos, jogadores de bom nível, e assim conseguiu chegar lá, não sem muito sofrimento, muita luta, é verdade. Mas no futebol é sempre assim. Hoje pela manhã eu ouvi o nosso bravo Toquinho, da MPB, corintiano, como eu, alegar que o campeonato por pontos corridos é injusto(!!!) Certamente se o Corinthians estivesse na posição do Fluminense ele não diria isto.

    Afirmou que o justo é o disputado em sistema, nas finais, por “mata-mata”. Se referiu à Copa do Mundo. Ora, esta não é um campeonato, mas um Torneio com grandes seleções, apenas isto. Se o campeonato mundial fosse disputado em dois grupos por pontos corridos acho que o Brasil teria mais títulos do que tem agora. Ademais, em todos os países da Europa os campeonatos são e sempre foram disputados por pontos corridos. E nunca deram prejuízo a ninguém.

    Lembro que a diretoria do Corinthians teria oferecido uma grana alta aos jogadores do rebaixado Guarani para atrapalhar o FLU. Pois é, repito que mala nenhuma ganha jogo. Entretanto o Corinthians esqueceu de que teria que vencer o time reserva do Goiás para tentar algo, mas nem isso conseguiu. Sou hoje um corintiano com o coração tricolor e feliz com esta conquista. As razões são todas minhas e peço que os amigos respeitem.

    No texto passado quando eu disse que, mesmo sendo vascaíno, por hereditariedade, e corintiano por opção pessoal aos 9 anos, estaria torcendo e muito pelo tricolor, expliquei que o meu coração tem razões que a razão de tantos outros jamais vai entender ou aceitar. Problema de cada qual.

    Nos comentários que recebi quanto ao texto passado, o PORQUE EU SOU ASSIM MESMO, muitos concordaram comigo, mas, claro, houve quem discordasse e até duvidasse da minha fibra vascaína quando eu disse que torço sim pelo Flamengo, ou por qualquer outro time brasileiro, quando está em disputa o título da Libertadores ou o título Mundial. Muitos não acreditam, porém eu juro ser verdade e tenho testemunhas. Sempre fiz isso.

    Ocorre, gente boa, que tenho espírito esportivo e jamais dei guarida em meu coração a atitudes de revanchismo, ou mesmo de ódio ao que chamam de “times rivais”. Sempre critiquei esta postura de muitos esportistas que, se torcem pelo Cruzeiro, jamais o farão pelo Atlético Mineiro, ainda que este esteja jogando contra um time estrangeiro disputando título internacional.

    Igualmente isto vale para torcedores do Grêmio e do Internacional, no RS, do Paissandu e do Remo, no meu Pará, e por aí a fora. Acatei a crítica, mas me permito discordar dela, e disse isto a quem ma enviou.

    Sei que alguns de vocês que têm esta postura dos que me criticaram seriam incapazes de partir para atitudes agressivas contra o “rival”, mas vejam bem, em nome deste mesmo raciocínio, quantos torcedores se juntam em grupos, atacam torcedores de times rivais, batem covardemente e até os matam? É só acompanhar o noticiário.

    E não me venham com papo de que se trata de meras “exceções”. Mentira, tem sido muito comum isto acontecer, no Rio, em S. Paulo, em Minas e pelo Brasil a fora. No Rio, não faz muito tempo, um jovem foi morto covardemente a tiros por outro, dentro de um trem, sem haver qualquer discussão, apenas porque vestia a camisa de um “time rival”... E quantas vezes isto tem acontecido? Lamentável. É isso que chamam de “espírito esportivo”?? Vade retro. Estou fora, sempre.

    Outra coisa que temos que reprovar, pois passa à margem do esporte, é o tal “homem da mala”, como se dizia antigamente e ainda vale para hoje. Se o dinheiro é, para o time que o recebe, que este entregue o jogo, perca para o adversário, já é algo indecente, imoral, anti-ético, mas alguns usam esta prática. E tão imoral, indecente e anti-ético é quando um time recebe dinheiro para se empenhar e vencer o adversário. Depois querem criticar este mesmo comportamento em políticos e governantes. Com que moral??!!

    Por outro lado, como um time, como o Guarani, por exemplo, que só teve uma vitória fora de casa, 11 derrotas no segundo turno, que fez pouquíssimos gols, já rebaixado para a segunda divisão, pode de repente se transformar num time de fibra, aprender e usar uma técnica fora de série para vencer outro que é líder do campeonato a inúmeras rodadas e merecia ser campeão? Desculpem, isto não existe. Zebras ocorrem, mas não por força de um pagamento extra, imoral, indecente, anti-ético.

    Se o Fluminense perdesse seria muito mais por incompetência de seus jogadores, por ansiedade e nervosismo ao encarar a disputa de um título do que pela “bravura paga” do seu adversário. Mas o tricolor provou que é e foi o tempo todo o melhor time deste Campeonato Brasileiro. Parabéns a todos os seus torcedores e ao time, incluído o técnico, claro.


    Francisco Simões. (Dezembro/2010)