Crônica
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    VÍTIMAS DO OLHO GRANDE, SEMPRE


    Já escrevi sobre este assunto, mas hoje resolvi voltar a ele. A vez mais recente que tratei das pessoas que chamo de “vítimas do olho grande” comecei o texto com estes dois parágrafos:

    É comum vermos e ouvirmos pessoas se queixando que caíram em determinados golpes, seja por anúncio de jornal, seja pela Internet, etc. As pessoas se deixam entrevistar posando de vítimas, o que realmente são, mas...

    Nem todos os casos acontecem só porque os vigaristas de plantão sejam espertos demais ou tenham estratégias tão eficientes que seja difícil escapar deles. Ora, vigaristas sempre houve e sempre haverá, claro, agora, pessoas de “olho grande”, do tipo que querem sempre levar vantagem em tudo, essas costumam se achar mais espertas que eles, arriscam e aí...

    Pois é, com certeza a maioria dos que se queixam de terem sido vítimas de determinados golpes, especialmente aqui na internet, podem crer que foram vítimas deles próprios, de seu incontrolável desejo de levar vantagem em tudo.

    Assim como eu deleto dezenas de mensagens tentando me atrair para um ou outro golpe, todos os dias, muitos internautas preferem conferir, arriscar, abrir o que não devem, clicar onde a armadilha os está esperando, sempre, ou atender a propostas que aparentemente irão lhes dar alguma vantagem. É o olho grande.

    Já disse antes e repito agora, não tenho pena deste tipo de “vítima”. Alguns ainda têm a cara de pau de se deixarem entrevistar pela TV quando então se queixam do que lhes aconteceu. Dou só um exemplo de um desses casos que vi em jornal televisivo outro dia.

    Um cidadão disse que lera na internet um anúncio através do qual alguém oferecia à venda, a preço bem em conta, um automóvel com pouco uso. Só que o queixoso morava no Rio, o anúncio se referia a alguém de uma cidade do interior de S. Paulo. Nele estava o endereço, com telefone e tudo o mais e colocava como condição para fecharem o negócio que o interessado fizesse antes um depósito em determinada conta bancária.

    O valor creio que era de três mil reais ou algo parecido. O candidato a “vítima” primeiro tratou de telefonar para o número indicado (celular) e confirmar a história. Confirmar, como, se ele nem conhecia a outra pessoa? O cidadão de lá disse tudo que o candidato a “vítima” queria ouvir e pronto, o “pato” entrava no forno. Com todo respeito a todos os patos, aves.

    A seguir o gajo depositou o dinheiro na conta respectiva e depois se dirigiu a tal cidade. Em lá chegando foi à rua indicada e... “surpresa”: não encontrou o número colocado no anúncio. Mais, ele telefonou para o “vendedor” e ninguém atendia. Ora, o trapaceiro já se desfizera do celular, algo hoje tão descartável.

    O que mais me irrita é este tipo de pessoa se expor em entrevistas, querendo passar, como disse e repito, por “vítima”. Não, eu não tenho pena, mas não tenho mesmo, pelo contrário, chego a dizer a mim mesmo: “bem feito”.

    Alguns bem intencionados de tempos em tempos têm o zelo de alertar, em mensagens bem elaboradas, sobre uma série de mentiras, golpes, e afins que lançam neste espaço virtual. Eu não as repasso sempre para não ficar cansativo, mas afinal a esmagadora maioria das mentiras e dos golpes aqui colocados são tão evidentes que só cai neles quem ainda seja ingênuo demais ou... no caso acima, candidato a “vítima do olho grande”.

    Já há muitos anos vírus virtuais não se criam por aqui. Eu tenho muita cautela, métodos diversos de me defender contra prováveis ataques. E olhem que os recebo diariamente, vindo nas mais variadas formas de apresentação. Meu método inicial de seleção das mensagens que me chegam é fundamental. Facilita a etapa seguinte, ou quando chamo para meu outlook apenas o que já passou na primeira triagem.

    Vejam que esta forma de trabalhar dá não só uma grande folga como até férias ao meu excelente anti-vírus, que por sinal é atualizado todos os dias. Naturalmente que este modo de proceder me obriga, algumas vezes, a incomodar alguns amigos que insistem em me enviar anexos, e/ou links, para eu ver algo, sem escrever qualquer coisa no corpo da mensagem. Não abro nada e nem entro em nada que não venha encaminhado tal como o amigo habitualmente me escreve.

    Voltando às tais “vítimas” das quais não sinto pena, é inadmissível que alguém, nos tempos atuais, convivendo nesta internet, caia em conversas do tipo: “Olha só as fotos do tempo em que estávamos no Ginásio.” Um dia me chegou uma dessas e se referia ao ano de 1973. Ora, estando hoje com 74 anos, se nos anos 70 eu ainda estivesse no ginásio, seria, no mínimo, um retardado mental, certo?

    Mentiras destes tipos: “A Nokia vai lhe dar um celular de graça”, ou então, “Cobranças do SERASA, RECEITA FEDERAL, SPC,...” eles estão cansados de avisar que não fazem isto por e-mail. E tem mais, muito mais, “Confirmação de uma compra, que você nunca fez, em diversas firmas”, ou então em forma de ameaças bobas do tipo “Se não mandar esta prece para 10 pessoas você vai se prejudicar seriamente”, “Dieta de Chico Xavier, para emagrecer”, meu Deus, Chico Xavier jamais se meteu em assuntos de culinária, mas alguns acreditam.

    Já recebi, de amigos, apelos para ajudar a encontrar criança seqüestrada. Gente, a grande maioria, ou quase todas essas mensagens, são mentirosas. Os tais “cartões virtuais”, por favor, nunca me enviem porque eu jamais os abrirei. Abri, no passado, e meu computador ficou infestado de vírus.

    Nessas inúmeras baboseiras só acredita quem não lê nada, não vê nem ouve TV, e acaba tendo um baita prejuízo com o técnico para pôr o computador em ordem. Porém, o que mais me preocupa ou mesmo me irrita, são as tais vítimas do olho grande. Com certeza é gente que pertence à “seleção” do time que defende o execrável “jeitinho brasileiro”. Vade retro.


    Francisco Simões. (Dezembro/2010)