Crônica
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    TOUCHE, UMA HISTÓRIA DE VIDA


    Foi em Janeiro de 2004 que eu recebi aquela pequena bola de pêlos como presente. Tão fofinho, tão frágil, uma gracinha. Eu nunca tivera cachorro, era minha primeira experiência. Ele chegava na minha vida num momento dos mais difíceis, quando eu estava mergulhado numa solidão que doía até na alma.

    Seu nome já vinha numa Certidão de Nascimento com pedigree e tudo o mais: Touche Muraoka. Marlene, hoje minha esposa, à época cuidava de minha casa, no bairro do Braga. Permanecia lá das 10 horas da manhã até cerca de 16 horas. Com a chegada de Touche Lena teve que também se dedicar a ele e a me ensinar regras que eu desconhecia. Nunca fui rigoroso na educação de Touche.

    No começo comprei uma cama e uma casinha para ele escolher onde dormir. À noite, quando eu me recolhia, ia para o andar de cima onde ficam os quartos. Touche ficava na sala. Nem sempre ele conseguia dormir a noite toda, e ao acordar chorava e me acordava. Eu descia e ia dar atenção a ele, fazia-lhe carinho, era como ninar uma criança até ele voltar a dormir. Isto, de madrugada.


    Levá-lo para a parte de cima da casa era arriscado, pois ele podia, sem querer, acabar caindo pela escada abaixo. Um amigo me arrumou uma velha porta de tela que, enfim, resolveu este problema. Eu a colocava encostada no começo da escada e ainda botava um banquinho para a segurar melhor. Pude então levar o pequeno Touche para dormir no quarto comigo, mas na caminha dele.

    Tanto para descer como para subir ele dependia de mim ou de Lena, pois suas perninhas não alcançavam os degraus. Nós o levávamos no colo. O lindo Yorkshire foi crescendo e mais crescendo e ficando, a cada dia, mais sapeca. A partir de certo dia, percebendo que Touche já poderia dar seus primeiros passos na escada, Lena assumiu, e de forma muito competente e carinhosa, a função de professora.

    Era emocionante ver o cuidado, a dedicação dela e também a aplicação do “aluno” Touche. Ela o ensinou para subir, na primeira parte da escada, sempre pelo lado esquerdo, o da parede, sem riscos dele cair nos intervalos das madeiras verticais da escada. A partir dali ela o colocava, devagar, com todo cuidado, no centro dos degraus e ia ensaiando seus passos de subida até o segundo andar. O centro era para evitar ambas as laterais, pois na segunda parte da escada elas existem de ambos os lados. Foram muitas as aulas, mas Lena sempre incansável.

    Curioso que anos depois, eu já morando com Marlene aqui nesta outra casa, ao irmos ao Braga visitar a irmã dela, a Dinha, que mora na minha casa antiga com a família, Touche se aproxima da escada e quando quer subir faz exatamente, ainda agora, como aprendeu com sua “professora” Lena. É muito lindo presenciar isto.

    Touche estava com pouco mais de três anos quando teve sua primeira “lua-de-mel”. Uma linda yorkshire chamada Sabrina. Deste amor nasceu a nossa querida Safira, o anjo canino de Marlene. O apego de Sassá com Lena impressiona. Ela está sempre ao seu lado, no seu colo, e ai de quem queira brincar de “zangar” com Marlene... Safira rosna, mostra os dentes e a defende com bravura. Safira está hoje com três anos e 10 meses.

    Algum tempo depois do romance com Sabrina, o nosso Touche teve outra lua-de-mel com Kiki, uma yorkshire bem pequeninha, que mora em frente à minha casa, no Braga. Jamais imaginei que Kiki conseguisse aquele feito, mas, com a ajuda de Touche, ela deu à luz... sete filhotes. Foi quase inacreditável. Seis foram vendidos pelos donos de Kiki e um macho ficou com eles. Nós abrimos mão do direito de ter um dos machos. Afinal temos três cachorros, contando com a Coker Tuane.

    Dizem pessoas entendidas que essa raça de cachorrinhos tem uma visão bem mais apurada que nós, seres humanos. São capazes de ver o que nossos olhos físicos não conseguem. Em verdade, houve noites, madrugadas, em que acordei com Touche rosnando, no escuro, olhando na direção da porta do quarto. Eu ficava todo arrepiado, pois nada via enquanto meu amiguinho parecia sentir a presença de algo ou de alguém no espaço onde ficavam as portas dos quatro quartos de cima.

    Tuane, hoje com nove anos, jamais havia aceito amizade com cachorro macho. Fez exceção ao Touche após muita insistência e competência deste. Ficaram grandes amigos. Curioso que hoje quando Tuane entra no cio Touche tenta, e mais tenta, porém jamais consegue, pois é bem menor que ela. Ele não sai do lado dela o tempo todo que dura o cio. Se esquece até da hora da comida e dormir, nem pensar em vir para dentro e dormir em sua caminha, no nosso quarto, como sempre faz.

    Lena costuma colocar uma toalha na sala e traz a “Lady Coker” para cá a fim dele não ficar na garagem, na casa dela, pois lá ele está sujeito a mosquitos e outros problemas. Isto já aconteceu no passado e ele sofreu muito. Touche se mantém o tempo todo como guardião de Tuane, durante o cio desta, um “D. Quixote” amantíssimo e capaz de avançar em quem tente afasta-lo dela. Acho muito lindo essa dedicação de Touche. Terminado o cio tudo volta ao normal.

    No dia primeiro de dezembro, agora, Touche completou sete anos de vida. Mais uma vez Lena preparou um bolo, eu comprara uma pequena vela, e à noite, juntando todo mundo cá de casa à mesa, comemoramos o aniversário com direito a “Parabéns pra você” e tudo o mais. Touche merece. Tem conosco uma linda história de vida. Vejam fotos do aniversário.

    Poderia lhes contar muitas histórias dessa trinca maravilhosa, Touche, Safira e Tuane, porém sei que ficaria cansativo, então irei contando em gotas através de textos no futuro como já fiz antes. Para verem várias fotos dos três sugiro que entrem, ali em cima, em FOTOS. Depois cliquem, na opção na coluna da esquerda, em CANTINHO DO TOUCHE. Tenho muito mais fotos do que ali estão, mas estão no meu arquivo pessoal.

    Em meu nome e no de Touche agradeço a atenção dispensada a esta crônica e meu amiguinho fica esperando os cumprimentos atrasados pelo aniversário do dia primeiro deste. Até a próxima.

    Francisco Simões. (Dezembro/2010)