Crônica
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    GRANDES FARSAS DA HISTÓRIA
     

    Meus prezados leitores, este velho Chico tem muito boa memória, graças a Deus, e por isso eu gosto de contar histórias. Quem me lê rotineiramente sabe disso. Conto minhas histórias de vida e outras que aprendi ou nas quais de alguma forma eu participei.

    Hoje, nem sei mesmo a razão, mas quando estava na cidade com minha Lena me ocorreu aquela história de uma grande farsa, ou vergonha, ocorrida no Estádio do Maracanã há alguns anos passados. Alguns talvez também se recordem dela.

    Havia um jogo oficial entre as seleções do Brasil e do Chile. Nossa seleção vencia, mas o placar estava um tanto apertado. Foi quando de repente uma jovem resolveu jogar um pequeno foguete na direção da trave onde estava o goleiro do Chile. Ainda bem que ela não tinha boa pontaria, pois o tal artefato caiu à boa distância do referido jogador.

    Esperto, ou bem maroto, o guarda redes chileno viu naquilo uma chance de prejudicar seu adversário, a seleção brasileira, quem sabe interrompendo a disputa ou até uma decisão que viesse a dar o ganho da mesma ao Chile.

    De imediato se atirou ao chão e quis dar a entender que havia sido atingido quase “mortalmente”. Claro que tudo não passou de uma grande farsa. Logo o médico chileno e outros da equipe deles correram e cercaram o goleiro que estava esticado no chão. Houve um certo suspense embora a maioria percebesse que ele não fora atingido por nada. Porém até ali o sujeito conseguira seu objetivo.

    Quero dizer, conseguiu que parassem o jogo, que o juiz fosse até lá para ver o que acontecera de verdade. Logo perceberam que então o guarda redes chileno apresentava algo escorrendo da cabeça como se fosse sangue. Em princípio muitos se assustaram, até mesmo o árbitro. Qual seria então sua decisão?

    Com a interrupção a vantagem ficou para o lado do Chile que perdia a disputa embora o placar estivesse apertado. Retiraram o goleiro de maca, fazendo uma grande cena teatral, pelo que se soube depois. Felizmente o juiz não se precipitou e após alguns minutos deu continuação à disputa e o Brasil acabou vencendo.

    De repente começaram os boatos. Muitos comentavam que ali por trás do gol, torcedores haviam visto o médico passar algo líquido, como mercúrio ou coisa parecida, na testa do jogador, para dar a impressão de sangue. Este interpretou muito bem o papel de ator farsante e mentiroso.

    Conversa vai, conversa vem, a turma do Chile fez um auê muito barulhento pela imprensa deles. Ainda apelaram tentando anulação do jogo, mas não conseguiram nada. Todavia já dizia um velho, muito velho ditado, que “mentira tem pernas curtas”. E tem mesmo.

    Passado algum tempo parece que certo dia a consciência daquele que encenara aquela grande farsa doeu muito, muito, e o fez enfim revelar toda a verdade.

    Em entrevista ele confessou o que todos já desconfiavam, até mesmo a imprensa chilena: realmente o tal foguete nem tocou nele e o “sangue” fora uma grande armação de seu médico que colocara em sua cabeça um produto tal para dar a ilusão de que ele fora atingido com gravidade.

    O fato é que a Confederação Sul Americana aplicou-lhe uma punição muito severa, porém merecida. Sabem como é o nome do “artista”, ou melhor, daquele goleiro, hoje ex, da seleção chilena? Pois eu lhes digo: Rojas, Roberto Rojas.

    Foi um foguete que nem tocou nele, mas podia ser, digamos, uma bola de papel, ou algo como uma rodinha de durex, enfim qualquer coisa, o importante foi que Rojas viu naquilo uma oportunidade de levar vantagem. Como se sabe, não levou, pelo contrário, até a história entre as duas seleções é amplamente favorável ao Brasil.

    Mas tramas de grandes farsas e grandes farsantes permeiam a História do mundo, não apenas no futebol, claro. E sempre irão acontecer porque o ser humano costuma ser assim, e não apenas o brasileiro.

    Foi apenas mais uma mentira desmascarada pela verdade que nesses casos acaba prevalecendo. Outro dia volto para contar outra história. Por hoje chega.


    Francisco Simões. (21/Outubro/2010)
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