Crônica
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    A LISTA DA MINHA VIDA


    Parodiando, respeitosamente, o grande Mestre Drummond, eu perguntaria: “E agora José... João... Joaquim... Julio... e todos os “jotas” e não “jotas” da lista da minha vida? Pois é, o tempo passou, o povo se manifestou, a apuração terminou, e a vida continuou, mas... “E agora?”

    Agora, em verdade, é o depois, o depois de um antes que se ficou no passado deixou marcas profundas no presente, e quantas. Algumas asas se abriram e voaram para outras paragens, algumas sempre estiveram lá, apenas faziam de conta que pousavam aqui e alimentavam o que, no fundo, não queriam preservar.

    O passado foi mesmo de esquecer, mas nem tudo. O pretérito não foi nada digno, nada de que se tenha orgulho, nada de que possamos lembrar com alegria, com amor, ou em paz. Um passado, digamos, “mal passado”, mal digerido, mal engendrado, mal posto, até mesmo mal educado... mas, nem tudo.

    Dizem que o futuro só a Deus pertence, já os ateus não devem pensar assim. Mas o futuro jamais existiria sem o passado e deste carrega muita História, lembranças, e também tristezas, mágoas, amarguras, saudades, porém igualmente recordações felizes.

    Até numa guerra, se há vencedores e vencidos, há também sobreviventes. Neste passado tão recente também houve ganhadores e perdedores. O pior, na minha visão, é quando ganhadores se portam com arrogância e/ou quando perdedores passam a agir como inimigos. Os dois comportamentos são condenáveis.

    Face a feridas de um passado que não só magoou muito, como foi desleal, deselegante, calunioso, entre outras “qualidades” nada elogiáveis, os sobreviventes precisarão de um bom tempo para se recomporem emocionalmente. Nada dói mais, no coração, do que uma amizade ferida.

    O presente poderá ser uma espécie de “purgatório”, o que lembra expiação, sofrimento, para corações e mentes que tenham condições de fazer exame de consciência. Para isso certos seres necessitarão de ter condições de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados, porém não tenho ilusão quanto a isso.

    O diálogo, em muitos casos, deverá ser substituído por uma espécie de verdade absoluta, a que se impõe pela força, não da palavra que procura a paz, o entendimento, mas que argumenta com a “razão da irracionalidade”. Parece algo incoerente, não parece? Mas não é. No auge do ódio, do preconceito, ela se instala e age, não se importando com sua vítimas.

    O presente, para os sobreviventes, é apenas de espera, de expectativa, alguma esperança, tal como eu disse ao final da minha crônica “A RAIVA NO DESENCANTO”.... Escrevi isto: “Podem voltar, e nem precisam bater à porta, vão entrando. Sejam bem-vindos.”

    O futuro mostrará que nem todos voltaram. O futuro é o amanhã, ou uma eternidade de tempo. O futuro pode ser também um reencontro, aqui ou alhures, pois na minha fé sei que a vida não termina jamais. Queiram ou não haverá sempre um reencontro. Você está preparado para ele?

    Isto me arremete à letra da linda canção do Osvaldo Montenegro, “A Lista”. Leia a letra na íntegra e ouça a música, entre outras, de autoria dele, neste link :
    http://letras.terra.com.br/oswaldo-montenegro/#mais-acessadas/555821

    “Faça uma lista de grandes amigos
    Quem você mais via há dez anos atrás
    Quantos você ainda vê todo dia
    Quantos você já não encontra mais...
    Faça uma lista dos sonhos que tinha
    Quantos você desistiu de sonhar!
    Quantos amores jurados pra sempre
    Quantos você conseguiu preservar” .....

    Pois é, minha lista de vida tem realmente encolhido, e não apenas pelo destino que afinal não poupa nenhum de nós, porém em alguns casos por decisões pessoais, independentes, desmotivadas de qualquer abraço menos afetuoso.

    O passado não volta mais, porém certas feridas custam bastante a sarar. Enquanto isso vamos levando o presente seguindo alguns conselhos que a amiga Lucia Paixão me mandou, atribuídos a Regina Brett, que tem 90 anos de idade:

    “Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.”
    “O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.”
    “O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.”
    “Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.”

    É isso aí, até a próxima.


    Francisco Simões. (Novembro/2010)