Crônica
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    DO VOLLEY À FÓRMULA UM ou A VITÓRIA DA ÉTICA, DA HONRA, DO TALENTO


    Primeiro assisti à decisão do mundial de volley feminino. Nossas meninas estavam invictas e muito animadas para obter uma conquista inédita. A torcida foi grande, mesmo sabendo de que a equipe russa já tinha 6 títulos mundiais e chegava à decisão também por seus méritos.

    A alternância na vitória de sets mostrava que qualquer uma delas mereceria mesmo ser campeã. No quinto e último set, o decisivo, as brasileiras estavam na frente, venciam por 7x6 quando o árbitro principal, coreano, decidiu contrariar o que dois árbitros de linha, que se posicionam a pouco mais de um metro da linha de fundo, haviam indicado: a bola caíra na quadra russa, era ponto das brasileiras, sem dúvida alguma. Mas ele, localizado bem mais distante da linha de fundo, do alto de sua cadeira, sentenciou: é ponto das russas, a bola foi fora.

    O que deveria ser 8x6 para as meninas do Brasil, passou a ser 7x7. Não vai aqui nenhum choro, até porque as russas também mereciam o título, assim como as brasileiras. Porém o mesmo árbitro já errara antes em outro set, duas vezes, sendo uma para cada lado. Estranho que a Tv japonesa, diferentemente dos outros dois momentos, no último set não reprisou a cena da bola “duvidosa” como costumam fazer. Não nos deixou ter a certeza da verdade, embora os juízes de linha estejam sempre mais em condições de informar a verdade do que o juiz principal, em casos de bola no fundo da quadra, quando perto da linha. Nossas meninas sentiram o baque.

    Não justifico a nossa derrota, claro que não, mas que um erro desses pode decidir um jogo duro, equilibradíssimo, tão igual, lá isso pode, e não seria a primeira vez. O fato é que nossas meninas acabaram perdendo mais uma vez o título mundial para as russas, enquanto estas agora têm sete. Elas choraram e choraram muito, mas o choro de quem tem vergonha na cara, de quem sabe que podia vencer, mas deixou escapar a oportunidade que nossa seleção masculina já ganhou três vezes, além dos nove títulos da Liga mundial. Justificava-se o pranto de quem não reclamava a derrota, mas sentia no moral o ter faltado tão pouco para o sonho.

    Parabéns às atletas brasileiras, campeãs olímpicas entre tantos outros títulos já conquistados, você fizeram um campeonato brilhante e foram honrosamente vice campeãs do mundo, mais uma vez. Parabéns às russas, venceu o mérito.

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    Depois assisti à decisão da Fórmula UM. Os mais cotados para chegar ao título eram o Fernando Alonso e o Max Webber. Vettel vinha como um terceiro com possibilidades mais remotas. Eu torci pelo Webber, sério, competente, quase em fim de carreira, merecia, mas hoje não era o dia dele, novamente.

    Igualmente a ferrare de Alonso não o ajudou em nada, pelo contrário. Porém havia lá na frente um garoto, um jovem de 23 anos, alemão (outra vez, alemão...) que durante o ano fizera nada menos que 10 poles e tivera quatro vitórias. Também cometeu erros bobos durante o ano que quase o deixaram fora do páreo. Seu nome, Vettel. Largou novamente na pole e correu como um grande vencedor.

    O que tinha menos possibilidades, entre os três mais próximos ao título, hoje não errou. Curiosamente Vettel jamais liderou antes o campeonato deste ano. Webber amargava um oitavo lugar que derrubava o seu sonho de enfim ser campeão. Fernando Alonso, em sétimo, não conseguia, e não conseguiu, durante quase toda a corrida, superar o adversário à sua frente. É um grande piloto, sem dúvida, mas tem um caráter bem duvidoso também.

    Só estava ali, em condições de talvez ainda ser campeão, graças àquela estúpida determinação da Ferrari, em certa corrida, quando mandou que o nosso Massa deixasse o espanhol o ultrapassar e vencer aquela prova. Houve muita crítica, eu mesmo falei da minha revolta com este tipo de “jogo de equipe” praticado algumas vezes na Fórmula UM. Escrevi e divulguei, mas acabei recebendo algumas críticas, acreditam? Houve quem procurasse justificar aquilo, embora critiquem o execrável “jeitinho brasileiro”. Era uma incoerência monumental.

    Mais, pesquisando na internet li muitas, muitas mensagens chamando o Massa de “babaca” ao reclamar da decisão da Ferrari, pois achavam que ele tinha mesmo era que “obedecer”!!! Talvez alguns desses sejam daqueles que reclamam tanto a falta de ética, de honradez, de seriedade em nossa sociedade, incluindo aí os atos de nossos políticos, e outros. Felizmente a falta de ética, a desonra, foi vencida.

    Com a magnífica vitória de Vettel ficou provado que a equipe RBR realmente não admitira o tal “jogo de equipe” que, por sinal, foi até abençoado pela FIA que se ameaçara punir a poderosa Ferrari, depois voltou atrás e aplicou-lhes apenas uma ridícula multa de alguns dólares. Muitos ainda afirmavam que no final a RBR ia admitir que Vettel fizesse o jogo para o Weber ser campeão, eu ouvi, mas felizmente pessoas mais decentes e honrados disseram NÃO.

    O choro copioso do vencedor menino Vettel me emocionou. Era diferente, mas parecido com o choro das nossas meninas do volley, apenas este era o da vitória consumada. Parabéns ao jovem piloto e á sua equipe. O mesmo não posso dizer ao bi campeão Fernando Alonso. Ele que já dera provas de ter um caráter bem duvidoso, hoje se consagrou como um mal perdedor e um refinado mal educado.

    Além de não ir cumprimentar o grande campeão, por puro despeito, ainda reclamou e xingou o piloto que ele não conseguiu ultrapassar na pista e que não era nenhum retardatário, por isso não tinha nenhuma obrigação de lhe dar passagem. Alonso, um bi campeão sem ética, sem honra, só lhe sobrando talento, que não justifica o ser descortês, malcriado, grosseiro, para não dizer coisas piores.


    Francisco Simões. (14/Novembro/2010)