Crônica
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    PV, O FIEL DA BALANÇA?


    O PV teve uma participação vigorosa e definitiva no primeiro turno dessas eleições presidenciais. Marina Silva, com suas posturas e propostas sempre bem definidas, muito diferente do comportamento de seus adversários, influiu decisivamente no resultado que levou a eleição para o segundo turno.

    Quem já cantava de galo teve que esperar outra alvorada, pois a esperança de boa parte do povo deixou bem claro que o sol ainda não iria raiar para comemorações precipitadas. A esperança dessa gente estava representada pelo verde do PV.

    Enganaram-se também os que chegaram a dizer que Marina atraía mais os votos dos evangélicos e que estes tentaram impor uma terceira via a ser levada ao segundo turno. Agora se sabe que quem votou em Marina, pelo menos uma boa maioria, rejeitava os demais candidatos que têm o apoio e a cobertura de grande parte da mídia mais poderosa deste país. O intento foi alcançado.

    Agora sabemos que Marina e o PV poderão funcionar como o fiel da balança. Antes, nem Dilma nem Serra, eles jamais pensaram em colocá-los em algum dos pratos da balança. Não eram os seus eleitos, os seus preferidos. Se pudessem os teriam evitado, só que para isso teriam que contar com uma coragem muito maior desse povo que ainda vota não querendo perder.

    Enfim, o fiel da balança vai votar com o melhor de sua consciência. Pelo dicionário, fiel, neste caso, “é o fio ou ponteiro que indica o verdadeiro equilíbrio de uma balança.” -- Por outro lado, o vocábulo fiel, por si só, revela que “é digno de fé; que cumpre aquilo a que se obriga; leal; honrado, íntegro; probo.”

    Já a balança é também um símbolo atrelado à Justiça. Esta é representada por uma mulher, com venda nos olhos, espada numa das mãos e uma balança na outra.
    Da balança se espera um equilíbrio e qualquer movimento será para fazer justiça. Todavia, neste tipo de julgamento, acima de tudo está o destino de um país. A balança vai se mexer. Terá que se mexer.

    No meu entender tanto Marina quanto o PV não deverão subir no palanque de ninguém. Aliás, eu disse isso na minha crônica “Segundo Turno, a indefinição”: “Alguns esperam que ela tome uma posição, pendendo para um lado ou para o outro, mas eu acredito piamente que Marina não recomendará o voto em nenhum dos concorrentes ao segundo turno. Pela postura que ela manteve antes duvido que agora vá subir no palanque de quem quer que seja. Não acredito mesmo.”

    Retirei isto do noticiário de hoje, quarta-feira, dia 13/Outubro: "Engana-se quem esteja torcendo pela divisão do PV no segundo turno", disse, na manhã desta quarta-feira (13), Denis Soares, coordenador regional da legenda no Nordeste e que está em Brasília para a reunião da diretoria do PV para deliberar sobre como será a plenária do próximo domingo (17) que definirá a posição do partido no segundo turno.”

    “Marina Silva, vai anunciar que existem duas solicitações oficiais de reuniões com ela para a definição do apoio. O primeiro pedido foi feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na semana passada. O segundo aconteceu na manhã desta quarta-feira (13), quando a candidata à presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, ligou para Marina Silva e colocou Marco Aurélio Garcia (PT) à disposição dela para discutir o plano de governo da coligação petista antes do próximo domingo (17).”

    Este assédio à Marina Silva já era esperado, claro, e até se justifica. Alguns mais apressadinhos, entretanto, chegaram a divulgar nesta internet que por ser egressa do PT, ter sido Ministra do Presidente Lula, ela iria sugerir o voto na candidata petista. Erraram. Do noticiário de hoje colhi mais essas informações:

    “Com base em discussões de integrantes do Partido Verde, a legenda parece estar dividida. A maioria é favorável ao apoio a José Serra, do PSDB, enquanto a minoria flerta com a petista Dilma Rousseff. Marina pende à neutralidade.”

    “Marina pende à neutralidade”... Eu jamais duvidei disto e o afirmei em dois textos, aqui divulgados, sem medo de errar. Inclusive afirmei que Dilma levava vantagem apenas por haver terminado o primeiro turno com uma diferença, a seu favor, de 14.519.151 votos. Impossível de ela perder? Não, mas tudo vai depender naturalmente do destino que terão mesmo os votos de Marina.

    Mantidos os cerca de 51% de seus votos que estariam indo para o candidato do PSDB, mas com 20% desses votos cambiando para a candidata do PT, como estão informando na mídia, será impossível um resultado diferente. Se fizerem as contas direitinho verão que sobrarão ainda uns 6 a 7 milhões de votos. Mas tudo pode mudar. Não esqueçamos dos 34 milhões de votos dos que se abstiveram, votaram em branco e/ou anularam o voto. Como se comportarão desta feita? Incógnita.

    O PV vai ser o fiel da balança, sem dúvida, mas a eleição pode estar longe de ser definida havendo tantos milhões de votos que podem eventualmente ir para qualquer lado. É a minha opinião.


    -- Em tempo: O noticiário referido no meu texto retirei do Portal do Terra.


    Francisco Simões. (Outubro/2010)