Crônica
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    SEGUNDO TURNO, A INDEFINIÇÃO
     

    O primeiro turno mostrou a muita gente que grande parte de nosso povo não aceitava nenhum dos dois principais candidatos que estavam na disputa. Dos 135 milhões de eleitores inscritos, saibam que mais de 50 milhões de votos não foram para eles. Vamos explicar.

    A grande vitoriosa do primeiro turno, no meu entender, a Marina Silva, obteve quase 20 milhões de votos. Por outro lado, se considerarmos os votos nulos, em branco, e a grande abstenção, fato a que quase ninguém se refere, teremos algo como 34 milhões de votos.

    Façamos uma simples conta de matemática: 20 + 34 = 54 (milhões) de votos que não se destinaram nem a Dilma e nem a Serra. Este total representa, meus amigos, cerca de 40% do número total de eleitores inscritos, convenhamos que é pouco menor que a metade de eleitores com direito a voto. E aí? Por acaso alguém viu ou ouviu algum analista dar destaque a esses dados? Só falam dos “votos válidos”!

    Vamos então fazer uma breve análise dessa situação sem maiores pretensões, porém querendo provar uma tese de que a eleição no segundo turno pode estar completamente indefinida. Comecemos pelos votos que obteve a candidata Marina Silva, do PV.

    Alguns esperam que ela tome uma posição, pendendo para um lado ou para o outro, mas eu acredito piamente que Marina não recomendará o voto em nenhum dos concorrentes ao segundo turno. Pela postura que ela manteve antes duvido que agora vá subir no palanque de quem quer que seja. Não acredito mesmo.

    De qualquer forma, ainda que ela recomende um dos dois candidatos como seu preferido, o efeito, a meu ver, será o mesmo do que ela não optar por nenhum deles. É evidente que quem votou em Marina o fez provando seu desagrado não só com a política atual como com as promessas do outro candidato.

    Para mim ficou muito claro isso. Explicitando de outra forma eu diria que os votos destinados a Marina Silva não foram, em hipótese alguma, votos de partido, ou votos de cabresto, nada disso. Assim sendo eles não irão como cordeirinho para este ou aquele destino só porque ela o recomende. Se Marina o fizer poderá decepcionar os que nela confiaram.

    Então temos aí 20 milhões de votos sem destino certo, podendo grande parte deles até se juntar aos da abstenção, ou nulos, ou em branco. Por que não? A mesma incógnita temos pousada nos 34 milhões de votos, tanto da abstenção como dos nulos e em branco referentes ao primeiro turno.

    É evidente que a tomada de posição desses 34 milhões de eleitores pode não se repetir na mesma direção e assim alguns votos levantarem vôo para um dos dois concorrentes. Acho essa hipótese pouco provável, mas não se pode ignorá-la.

    Entretanto, se alguém está esperançoso que os 20 milhões de votos de Marina irão, por exemplo, para o candidato do PSDB, pode ir tirando seu cavalinho da chuva.

    Da parte dos petistas, se sonham em receber aqueles votos todos e garantir definitivamente uma estrondosa vitória de Dilma, só posso lhes dar a mesma sugestão, do contrário o vosso cavalinho poderá pegar uma forte gripe. Então, por essa e por outras hipóteses mais que poderiam aqui ser levantadas, vejo uma grande indefinição para o resultado do segundo turno.

    Sei que tanto Serra quanto Dilma e seus aliados já andam prometendo mundos e fundos para ganhar a simpatia dos eleitores de Marina Silva. Isto pode funcionar a favor como também pode ter um inesperado efeito contrário. Nos próximos dias, enquanto a candidata do PV não se pronunciar oficialmente sobre sua posição, o assédio prosseguirá de ambos os lados.

    É claro que, de saída, a candidata do PT leva uma boa vantagem, pois se nenhum dos 54 milhões de votos caírem no colo de ninguém, ela já leva uma dianteira de quase 15 milhões de votos, resultado obtido no primeiro turno. Vejamos: Dilma teve 47.651.053 votos, ou 46,91% dos votos válidos, enquanto que Serra obteve só 33.131.811 votos, ou 32,61% dos votos válidos.

    É evidente que seria necessário que esses eleitores repetissem seus votos, mas como quem votou em um desses dois concorrentes pensa muito diferente do que quem votou em Marina Silva, acredito que a repetição de voto ocorra mesmo.

    Se considerarmos somente os 20 milhões de votos de Marina, para Serra vencer seria necessário que quase todos eles fossem agora ao encontro do candidato tucano. Você acredita nisso? Só se acreditar também em Papai Noel! Creio igualmente que o PT não pode alimentar este “sonho” com relação a Dilma.

    Repito: pela postura de Marina Silva durante o primeiro turno, por suas posições sensatas e corretas, por suas críticas tanto à política atual quanto ao que poderia esperar dos tucanos no poder, não acredito que ela tome partido de ninguém. Se o fizer também eu me decepcionarei com ela. Vamos aguardar.

    Assim considero que a vantagem é de Dilma pelo exposto acima, entretanto não se pode dar isso como favas contadas, de forma alguma. Não creio também que os tucanos tenham alguma carta na manga, como se diz, para surpreender.

    A realidade do segundo turno está posta, fora disso, fora dos números aqui registrados e das posições tomadas por cerca de 54 milhões de eleitores no primeiro turno, não vejo outra saída. É esperar para ver se realmente vão ocorrer mudanças de posição que favoreçam a este ou aquele candidato, ou candidata.


    Francisco Simões. (Outubro/2010)