Crônica
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    É A MINHA VEZ


    Pois é, meus amigos, há pessoas que não gostam que se fale no assunto, mas eu nem ligo. Também tem muita gente que detesta que alguém se lembre e acabe dando com a língua nos dentes, como se diz, e espalhando a notícia. Que horrorrr...

    Há os que param de contar a certa altura da vida, acreditam? Artistas, especialmente, costumam mentir descaradamente sobre o assunto, mas não só eles, não. Conheço pessoas que juram nem se lembrar de quanto é, pode isso? E não é por falta de memória, não mesmo.

    Outros, se puderem, nem atendem ao telefone, no referido dia, e se alguém atender e os chamar mandam dizer que saíram e vão demorar a voltar. Se pudessem parariam o tempo. Quanta bobeira!

    Há os que odeiam até o próprio mês, imaginem só. Se for Agosto, então, logo se põem a lançar defeitos e desgraças todas atribuídas a este mês. Sinceramente não entendo tanta aversão a algo inevitável, irreversível, inalterável, que faz parte do destino de cada pessoa.

    Também conheço os que falam em nascimento e morte, passando pela vida rapidinho antes que tropecem no tal dia ou alguém lhes arremesse aos ouvidos a pergunta que não gostariam de ouvir para não ter que responder, embora sempre haja o recurso da condenável mentira, na resposta. Por que isso?

    Vaidade? Um anseio de juventude eterna? Uma quase paranóia que gostaria de contrariar a lei da Natureza e pôr freio, ou limites, no avanço do tempo que existe desde que a vida surgiu e assim seguirá sua trajetória até que um dia tudo se acabe? Mas, aí eu pergunto: o que chamamos de mundo terá mesmo fim um dia?

    Vocês já devem estar confusos com tanta prosopopéia, argumentos, tantas voltas num assunto tão simples. Porém vejam que quem dificulta tudo não sou eu, não mesmo, mas aqueles ou aquelas que costumam fugir da responsabilidade de assumir, algumas vezes até colocando o dedo em cima daquele dado ao apresentar sua carteira de identidade por qualquer motivo.

    O que digo aqui vale tanto para mulheres como para alguns homens também, sabiam? Você, por exemplo, que está me lendo e esboça um leve e amarelo sorriso porque sentiu que a carapuça entrou na conta certa, hein?! Pare com isso, amigo, por favor.

    Bem, então vou abrir o meu coração. Eu sou a favor, a favor da verdade e contra os que mentem ou desconversam. Enfim chegamos mais uma vez ao mês de Agosto, “o oitavo mês dos calendários juliano e gregoriano”. Não o considero o “mês do desgosto”, como alguns insistem em rotulá-lo. Acho isso um absurdo.

    Afinal no dia 07 desse mês nasceu minha querida irmã Maria Luiza, a Mana Lu, considerada a “Rainha Mãe de Todos” por toda a dedicação que tem posto a serviço dos familiares, há décadas. No dia 19 nasceu nossa saudosa genitora Ana Rosa, e no dia 21 nosso sempre lembrado avô materno, Francisco de Oliveira Simões, o português, químico industrial, pioneiro na indústria de refrigerantes neste país, com certeza.

    Também neste mês de Agosto, há muitos, muitos anos mesmo, em 1936, veio ao mundo um bebê que seria o primogênito de dez irmãos. Seu apelido em casa viria a ser Titó, o que, para ser explicado, implica numa longa história. Seu pai também o chamava de Chico, e muitos amigos o chamam por Simões, ou Saimon, e até o filho do Mário.

    Amanhã, dia 17, o personagem a que me refiro acima completa 74 anos de vida, e que vida, amigos. Eu que o diga. Altos e baixos, vitórias e derrotas, de um berço de ouro para quartos de empregada, de uma desistência para um recomeçar de vida, de uma felicidade fulgurante para uma dor lancinante e uma solidão que torturava e quase esmagava qualquer sentido de esperança.

    Felizmente a vida me fez renascer outra vez, isso aos 71 anos. Havia ainda o que viver, amar, ser solidário, repartindo uma felicidade à qual eu quase renunciei poucos anos antes. Digo “eu” porque já está mais do que evidente que o aniversariante de amanhã é este amigo de vocês.

    Talvez eu já tenha vivido mais do que mereça, todavia se ainda estou por aqui é porque certamente me estão destinadas missões a cumprir. Vejam que digo isto com plena convicção sem renunciar nem me queixar de nada do meu passado vivido e que me ajudou a somar experiências através de acertos e erros.

    Bem, para quem não se lembre vou direto ao assunto: amanhã, dia 17, este esforçado escriba, também metido a poetar, comemorará mais um aniversário.

    Nunca me importei em falar sobre minha idade assim como não quero presentes, não, prefiro receber abraços, beijos, lembranças daqueles que ainda sejam meus amigos nesta longa vida, ou daqueles que chegaram a mim bem depois e se juntaram ao grupo da antiga fazendo com que meu ventrículo esquerdo crescesse um pouquinho mais recentemente. É muito amor, gente, muito amor.

    Como eu digo no título desta crônica... “é a minha vez”, pois é, a minha vez de comemorar outro natalício, sem medo de ser feliz, sem dissimular na idade, mas assumindo e querendo mais, se o destino me permitir. Vida que segue.


    Francisco Simões. (16/Agosto/2010)