Crônica
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    O POLVO É QUE SEMPRE TEVE RAZÃO


    Pois é, meus amigos, desde antes da Copa que ontem terminou lemos e ouvimos muitos palpites de gente que se considera “entendida em futebol”. Aí podemos incluir os técnicos de clubes, os comentaristas esportivos, os analistas, jornalistas que militam na área esportiva ou não, e torcedores em geral.

    O que vimos e lemos foi que os grandes favoritos, para eles, eram a Inglaterra, a Alemanha, e a Argentina, nem todos incluíam o Brasil, e alguns indicavam a Holanda, sendo que a Espanha foi muito badalada no começo, mas não se via ninguém apostar nela pra valer. Ainda mais após aquela estréia desastrada em que perdeu feio para o time fechadinho da Suíça por 1x0. Uma estréia pra esquecer.

    A grande favorita Alemanha também teve os seus tropeços como perder para a modéstia Sérvia, por 1x0, ganhar bem apertado do Gana, 1x0 e só depois deslanchou. Goleou a boa equipe Argentina, o que surpreendeu a todos nós, e goleou a Inglaterra, porém num jogo com erros grosseiros de arbitragem.

    Aliás, quando Portugal enfiou 7x0 na Coréia do Norte, na primeira fase, o conhecido jornalista de Sampa, o Milton Neves, colocou no seu blog este recado para o nosso Dunga: “Olha aí, Dunga, viste como é que se ganha da tal Coréia do Norte? Portugal nos ensinou, meteu sete”. Pois é, depois faltou gol para tentar ameaçar a Espanha que, com outro 1x0, seguiu “comendo pelas beiradinhas”, como se diz na gíria, e o nosso querido Portugal parou ali.

    Enquanto isso a Holanda seguia vencendo, sem nem empatar. Confesso que em algumas vitórias dos holandeses eles não me convenceram, não mesmo. Têm um bom time, mas os jogadores apelavam, se jogavam ao chão querendo faltas, (pareciam até os argentinos e uruguaios dos velhos tempos), faziam faltas desleais. porém sempre com aquela “carinha de anjo” ao irem conversar com o árbitro, e tudo ficava na boa.

    Por essas e outras eu disse (e muitos devem se lembrar) que eu achava que a Holanda estava, digamos, “enganando” direitinho e com seu futebol ia seguindo vencendo. Ao ganharem do Brasil, confesso, diferente de alguns tolos que disseram que nossa seleção foi um fracasso (quanta estupidez), percebi que eles iam continuar “enganando” e algumas vezes com uma mãozinha da arbitragem.

    Alguém discorda que o primeiro gol do Brasil, contra a Holanda, foi perfeitamente legal e portanto, sua anulação, equivocada? Se estivéssemos com 2x0 com menos de 15 minutos do primeiro tempo e estando nosso time com a moral lá no alto, como estava, como se comportaria a Holanda? Invictos a tantos jogos eles não estavam preparados para perder, e o provaram ontem, na decisão com a Espanha.

    Considero então que nossa derrota para a Holanda foi dessas coisas que acontecem no futebol, assim como tivemos o melhor de todos os times, nas Copas de 1982 e 1986, e acabamos nem decidindo títulos nem os ganhando. Coisas que fazem do futebol este esporte diferente que atrai multidões a torcer. Saímos e eles continuaram na Copa e a “enganar”, além de invictos.

    Esqueceram que ninguém ganha sempre, e assim achavam talvez que nenhum time tinha “o direito” de os vencer, daí aquele comportamento meio arrogante, em certos momentos e que contavam com a complacência da arbitragem. Dizer que isto não aconteceu é não querer ver a verdade. Enquanto isso a Espanha ia correndo por fora, com seu toque de bola tranqüilo, confiante, fazendo muito poucas faltas a cada partida, e assim levaram a Alemanha na conversa, ou no futebol, e a mandaram esquecer que era favorita.

    Mais uma vez confesso, sem receio de ser feliz, que só comecei a acreditar na Espanha após aquela maravilhosa exibição contra os alemães. Os espanhóis jamais se preocuparam com goleadas, como tantos brasileiros ainda sonham cada vez que nossa seleção entra em campo. Quanta bobagem, futebol não é isso, ou só isso. Goleadas são coisas eventuais, acontecem apenas. A Alemanha goleou duas excelentes equipes e..... não ganhou nada, só o prêmio de consolação.

    E vejam que ela venceu o Uruguai novamente em uma partida com erros grosseiros de arbitragem que acabaram desbancando os uruguaios de uma final mais imprevisível de todos os tempos. Já pensaram: Uruguai x Espanha?? Não deu, tudo bem, e a Holanda entrou em campo achando que agora dava, para eles que já eram vice em duas Copas e mais nada. Pensaram, mas a Espanha não concordou. O espanhóis mostraram não ter medo de cara feia e foram tocando a bola, envolvendo os holandeses que no desespero começaram a dar botinadas, fazer faltas desleais, e ninguém foi expulso antes graças ao pusilânime árbitro.

    Aquele holandês que entrou com a chuteira, lá no alto, atingindo em cheio o espanhol no centro do peito, levar só um amarelo?? Até uns 10 ou 12 minutos a Espanha não fizera nenhuma falta, e a Holanda já cometera seis. Quando a Espanha diminuiu o ritmo, o Roben bem que tentou, mas o goleiro da Espanha é excelente profissional e conta com a sorte que todo bom goleiro tem que ter. Os espanhóis, por seu turno, já haviam perdido vários gols.

    Enfim, se fez justiça, a Espanha marcou e se sagrou campeã, e a Holanda teve que entender, finalmente, que não se ganha sempre. 25 jogos sem perder... pronto, aconteceu. Mais uma “goleada” dos espanhóis... 1x0. Torci por eles.

    Vamos realçar aqui duas atitudes muito dignas dos jogadores holandeses (não incluo o técnico e depois direi a razão). Naquele lance em que o goleiro espanhol atirara a bola pra fora para ser socorrido seu colega, quando um holandês devolveu a pelota para o time espanhol, cumprindo o “fair play”, a bola subiu muito, ganhou velocidade e ia meio em direção ao gol. O goleiro espanhol resolveu toca-la para fora. Houve então um escanteio. Mas como fazer aquilo?

    Aí eu aplaudi e muito o que fizeram os holandeses. Ninguém foi para a área e o jogador que “cobrou” o escanteio, apenas atrasou a bola para o goleiro espanhol. Todo o estádio aplaudiu aquele maravilhoso exemplo. Que isto fique na memória de todos e que as partidas de futebol tenham menos violência do que vem acontecendo já há algum tempo, aqui e lá fora.

    O outro elogio que faço ao time holandês foi quando se colocaram feito em linha, dos dois lados por onde desceriam os espanhóis, e quando estes passavam por eles todos se cumprimentaram. Isto é mesmo de não esquecer e merece todos os destaques que a nossa imprensa certamente não vai dar, pois já está “preocupada” em eleger o novo técnico do Brasil. Aplausos para o time holandês.

    Por que deixei o técnico da Holanda de fora? Simplesmente porque enquanto todos os seus jogadores mantiveram a medalha de prata pendurada ao pescoço, ele, que deveria dar o maior exemplo, tão logo a recebeu e começou a descer a escadaria, a retirou com cara emburrada e a enfiou no bolso da calça. As câmeras pegaram em cheio, não viu quem estava distraído.

    Gostei do resultado, parabenizo os espanhóis pelo belo título e pelo futebol apresentado, sem preocupações de grandes exibições, mas confiantes, sempre, um futebol quase sem cometerem faltas, e muito eficiente como se viu. Valeu. Parabenizo também o tal polvo alemão que parece ter acertado todas. Será que em 2014 inventarão por aqui algum papagaio “vidente”, ou coisa parecida para rivalizar com o polvo alemão??

    Pra encerrar, nota zero ao Sr. Faustão, o atual, global, que disse ontem, ao vivo, que esta foi “a Copa mais medíocre de todos tempos”. Não viu nem entendeu nada do que por lá se passou e ainda faltou com respeito ao povo africano assim como as suas autoridades e às seleções que deram o melhor de si. Saudades do Faustão da Band, anos 60 e 70, no programa “Perdidos na Noite”...


    Francisco Simões. (12 / julho / 2010)