Crônica
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    OS FALSOS MORALISTAS DE SEMPRE


    Pois é, meu amigos, sempre que ocorre a realização de uma Copa do Mundo, e esta já é a décima nona, milhões e milhões de pessoas do mundo inteiro, ou quase, se empenham em torcer por suas seleções. Seja de que continente for, seja de que nação for, sem distinção. Negar isto é negar a verdade, é negar o óbvio.

    Sim, mas há quem tente negar, quem tente pôr areia na alegria de tantos e tantos milhões. E sabem a razão? Explico: afinal esses poucos senhores, muitos deles incrustados em órgãos de imprensa, tendo a força da palavra escrita ou falada, voltam a se vestir de “falsos moralistas” e desancam o pau (esta é a expressão correta) em todos que torcem e mais torcem por suas seleções, especialmente nós.

    Como o fazem? Ora, fazem e estão fazendo agora mesmo, basta procurar, por exemplo, na nossa grande imprensa, escrita, falada ou televisada. Estes senhores carregam certamente algum tipo de preconceito que escondem na maioria do tempo e o liberam nessa hora, durante a realização de alguma Copa do Mundo, quando tanta gente, tanto povo, vibra, torce, grita, xinga, quando é o caso, estão irmanados no mesmo sentimento, cada qual a torcer por seu país.

    Mas eles, eu diria que são pessoas que devem alimentar em seu ego certo ar de superioridade, se julgam estar sempre um estágio ou mais acima do que chamamos de povo. Povo que, para eles certamente é essa gentinha que se não é analfabeta pouco ou quase nada sabe de cidadania. Pobres de espírito, eles, esses da mídia.

    Porque se desnudam agora? Porque sabem que há sempre quem os acompanhe nas suas críticas afetadas, pretensiosas, porque afinal este tipo de preconceito, alimentado por arrogância, não é algo exclusivo deles. Os que os lêem, se babam, e repassam suas matérias, só não dispõem da força de ter um espaço só seu para dizer o mesmo, ou lhes falta coragem para escreverem algo de seu e divulgarem.

    Por que os chamo de falsos moralistas? Por costumarem usar a expressão “pátria de chuteiras”, que foi inventada há muitos anos pelo grande teatrólogo, escritor e jornalista, Nelson Rodrigues, mas com outra intenção. Durante os governos militares deram a essa expressão um sentido que a desvirtuou completamente e ela acabou sendo olhada como algo que nos queira levar a crer que nossos atletas, ao irem a uma Copa, seja como se fossem a guerra. A fantasia de Nelson foi destruída pelas armas e pelos conceitos da autocracia da época.

    Hoje, quando eles, não aceitando o nosso sagrado direito de termos pelo menos esta alegria de torcermos por nossa seleção, num país com um povo eternamente massacrado por cada governo que se sucede, e, pior, procurando nos diminuir como povo e certamente como nação, insistem em nos lançar a pecha de que, ao estarmos ao lado de nossos atletas, nada mais somos do que uma “pátria de chuteiras”. Ah que vontade de lhes dizer o que minha educação não permite.

    Quantos desses senhores não escrevem em alguns órgãos tendo que seguir uma certa linha mestra, ou a agir quase que como escrevendo ou falando tal e qual a “voz do dono”? Afinal isto é tão comum, especialmente nos órgãos mais poderosos.

    Então pergunto: que autoridade, moral ou lá qual seja, têm alguns desses senhores para nos tentar atingir encastelados em suas colunas e a não aceitarem qualquer tipo de crítica? Se julgam intocáveis? Só eles podem escrever ou dizer o que quiserem e nós temos que aceitar tudo caladinhos, em nome da ...”liberdade de expressão”?? Estão muito enganados, amigos.

    Liberdade de Expressão, assim como amor, amizade e outros sentimentos, é via de “mão dupla”. Talvez fizesse bem aquele jornalista, o Sr. Cláudio Humberto, que era porta voz do Collor quando dizia: “Comigo não, bateu, levou.”

    Eu acrescento que se “não queres ouvir o que te digo”, pois pensa antes de falar, ou de escrever. Calados é que não ficaremos, nunca, e medo é coisa que aos 73 anos ninguém mais tem, nem da morte, pois já estamos no lucro e ela tem que cumprir sua missão.

    Para encerrar, amigos, eu lhes asseguro que se há alguém que escreve ou fala com pose de “donos da verdade” são esses senhores que jamais respondem ou dão qualquer atenção a algum leitor menos avisado que lhes dirija um comentário. Experimentem endereçar a eles a vossa opinião sobre algum texto. Dificilmente alguém lhe dará a atenção que, como leitor ou ouvinte, você merece.

    Mas, sem rancores e sem querer ofender ninguém, vou terminar com uma das frases célebres do nosso saudoso Nelson Rodrigues, talvez mesmo fora do contexto: “Invejo a burrice porque ela é eterna.” Falei e disse.


    Francisco Simões. (Junho/2010)